Jundiaí, Sábado, 5 de Dezembro de 2020

Não é o momento de reabrirem os Templos


Diz presidente da UNI Terreiros

Por Pai Édi Gomes
TUOCLM

Na semana passada, a Prefeitura de Jundiaí publicou nota técnica autorizando o retorno das atividades religiosas na cidade. As autoridades sanitárias determinaram que Templos, terreiros, igrejas católicas e evangélicas podem retornar as reuniões religiosas com apenas 20% da sua capacidade, além de fornecimento de álcool em gel e que os sacerdotes, médiuns e frequentadores mantenham distanciamento de dois metros e utilizem máscaras de proteção.

A UNI Terreiros (União das Comunidades de Terreiros de Jundiaí e Região), diante do cenário de crescimento dos números de óbitos e contaminados por coronavírus (covid-19) na Aglomeração Urbana de Jundiaí (AUJ), orienta as Casas de Axé que fazem parte da entidade a manterem o isolamento social e não retornarem as duas atividades normais de giras, festas e eventos, para evitar possíveis multidões e a consequentemente a progressão da doença.

O presidente da UNI Terreiros, Gihad Abbas (Templo de Umbanda Caboclo Pedra Preta), disse que o documento publicado, mesmo com a participação de representantes da entidade em sua elaboração, não atende a todas as necessidades das religiões de matriz afro. 

“Neste momento é importante se atentar as situações que a gente está vivenciando. É prematuro ainda o retorno. É consenso da maioria das Casas não reabrir para os atendimentos. É prematuro a gente tomar qualquer decisão pelo fato da nossa religião ter diversas peculiaridades que as outras não tem”, comentou.

Tanto a Umbanda quanto o Candomblé, explica o presidente, não possuem um celebrante único e tem a questão da falta de alvará. “Algumas das nossas Casas não têm alvará de funcionamento e a Prefeitura vai fiscalizar todos os salões que estiverem funcionando. A gente tem que ter muito cuidado, pois estamos vivendo um crescimento do número de contaminados da doença e não temos uma estabilização dos casos”, pontua.

Abbas reforça que a Prefeitura de Jundiaí liberou atividades religiosas com diversas restrições como distância de dois metros entre as pessoas, uso de máscara, utilização de álcool em gel, higienização do ambiente dos cultos, entre outras particularidades.

“A gente não vai conseguir cumprir de imediato. Não vamos conseguir manter dois metros de distância, por exemplo, nos atendimentos. É bastante difícil. Vamos ter calma neste momento sem tomarmos nenhuma atitude precipitada. O mais importante é a nossa fé que a gente guarda dentro da gente. Em breve nós vamos ter uma solução mais adequada para que a gente possa voltar com segurança”, explicou o presidente.

O presidente ainda reforçou a importância de mantermos as orações e firmezas das Casas neste período. “As rotinas de firmações em nossos templos sem dúvida colaboram para reduzir a distância, bem como as orações em grupo e individualmente”, disse.

Outra afirmação do presidente da UNI Terreiros é que as casas ponderarem o retorno prematuro das suas atividades. “Só para deixar claro, esta é minha opinião. Se observarem bem, o que foi publicado é uma nota técnica. Ela dá um parâmetro mínimo para que as casas possam funcionar. Então, nós temos que pensar em todas as situações, as condições e em primeiro lugar, se a Casa tem alvará ou não. Este documento é que vai dizer quantas pessoas podem frequentar o lugar. 98% dos pais e mães das casas que eu conversei, desde a semana passada, vão manter as suas casas fechadas, só fazendo as suas firmezas”, finalizou Abbas.