Jundiaí, Terça-Feira, 10 de Dezembro de 2019

UniTerreiros comemora 110 anos de Umbanda


A jornada da UniTerreiros nasceu há um ano na festa dos 109 anos da Umbanda que lotou a Câmara Municipal

Com postura de respeito a todas as religiões, mais uma vez a UniTerreiros – União das Comunidades de Terreiros de Jundiaí e Região, participou da homenagem dos 110 anos de fundação da Umbanda no Brasil (15 de novembro), na terça-feira, 13 de novembro, na Câmara Municipal de Jundiaí, por iniciativa do vereador, delegado Paulo Sergio Martins. Praticantes das religiões de matriz afro, umbandistas e candomblecistas, prestigiaram o ato mostrando o orgulho em vestir o branco, usar os fios de contas e praticar a caridade.
 
O presidente da UniTerreiros, Gihad Abbas, discursou sobre a importância das religiões de matriz afro e ressaltou o trabalho que a UniTerreiros fez neste primeiro ano de atividade. Entidade que visa, sem fins lucrativos, mapear os terreiros de Umbanda e Candomblé na cidade de Jundiaí e região. 
 
“A UniTerreiros foi uma semente plantada há um ano pelo vereador Paulo Sergio, autor inclusive do Projeto de Lei que incluir O Dia Municipal da Umbanda no calendário oficial de Jundiaí. Por conta desta iniciativa nasceu a UniTerreiros, com objetivo é de unir e mapear as comunidades não só de Jundiaí. Hoje, para quem não conhece, pois na cidade são praticamente 200 casas entre Umbanda e Candomblé, enfrentamos algumas batalhas gratificantes e nos tornamos uma referência para o Poder Público”, disse Gihad.
 
Ele destacou também que o nosso objetivo é preservar aquilo que nos uni: nossas roupas brancas, as nossas guias e o que é feito em cada casa é respeitado e nisto ninguém irá interferir.
 
Conquistas
 
Neste um ano de UniTerreiro, o presidente ressaltou a aproximação com a Prefeitura de Jundiaí, por intermédio da Isabela Galdino Miguel, assessora de Políticas para Igualdade Racial. “Ela abriu as portas e está auxiliando muito nesta proximidade entre as comunidades de terreiros como Poder Executivo. Tem feito um trabalho, tanto de promoção quando de preservação das nossas raízes, daquilo que é importante para as religiões”, completou.
 
Sobre as conquistas, Gihad Abbas, destaca a importância em conhecer o povo de Fé que faz da religião a força de ajuda espiritual e solidária na cidade. “Neste um ano de trabalho conhecemos muitos amigos, visitamos inúmeras casas que desconhecíamos, e vimos quanta gente está disposta a trabalhar pela Umbanda e pelo Candomblé e também disposta a batalhar por aquilo que acredita”, disse.
 
Hoje, as dificuldades que havia para a abertura e regularização de suas casas entre outras dificuldades, a UniTerreiros, segundo o presidente, encontrou amparo na entidade. “A questão do casamento realizado nos terreiros, por exemplo, que é algo simples, tinha muita dificuldade por não ter conhecimento ou orientação jurídica, a UniTerreiros facilitou isso”, frisou Gihad Abbas.
 
A entidade está indo além. Hoje participa dos assuntos relacionados a preservação da Serra do Japi, patrimônio da biodiversidade municipal, com amparo direto da Prefeitura. A convite da superintendente da Fundação Serra do Japi, Vânia Plaza Nunes, a Uniterreiros está envolvida nos projetos de preservação da Serra do Japi, o que demonstra a importância que a entidade está conquistando nesta interação com o Poder Público.
 
Respeito
 
O presidente encerrou o discurso ressaltando o quanto negativo é a intolerância que praticaram e praticam contra as comunidades de Terreiros. Inclusive o ato protagonizado há um ano, quando os umbandistas e candomblecistas lotaram as dependências da Câmara Municipal. “Nós nascemos para combater a intolerância. Nós fomos vítimas de intolerância no nosso primeiro discurso há um ano. O que nós mais buscamos é respeito. Pois o respeito nasce a partir do momento que as pessoas conhecem o que é feito. A intolerância vem desta falta de conhecimento, desta falta de vontade de conhecer aquilo que é feito. Nós respeitamos as outras religiões. Pregamos o amor entre as religiões”, disse.
 
Ao final, Gihad Abbas ressaltou que a Umbanda nasceu há 110 anos. “Fundada por Zélio Fernandino de Morais Niterói, Rio de Janeiro,  e não vai ser agora que nós vamos nos calar. A gente está ganhando o nosso espaço e a gente está vindo, acima de tudo, para lutar contra o preconceito, contra a intolerância e contra todos aqueles que se colocam acima de qualquer pessoa para chegar aqui e dizer que nós estamos perdoados”, finalizou Gihad Abbas.